Eu me aproximo de um senhor idoso que estava empurrando um carrinho de picolé e pergunto: -Senhor, quanto custa um picolé? Ele: -75 centavos. Eu puxo uma nota de R$2,00 e digo: -vou querer um. Ele depois de muito remexer na sua bolsa com moedas, segura uma moeda de R$1,00 e diz: -pegue mais um, porque eu não tenho 25 centavos para completar seu troco. Eu respondi: -Não, pode ficar com os 25 centavos. Ele surpreso: -Obrigado, nem todo mundo tem um coração bom como o seu. Eu parei e refleti : nosso mundo está tão carente de boas ações assim a ponto de você abrir mão de uma moeda de 25 centavos e causar espanto num simples vendedor de picolés? A resposta é sim. Todavia, diante desse mundo egoísta, invidualista onde a lei que impera é a da "farinha pouca, meu pirão primeiro", eu sigo na contramão, com pequenos gestos, pois sei que o exemplo não é a melhor forma de mudar o mundo, é a única.
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sábado, 23 de maio de 2020
sábado, 9 de maio de 2020
Negociação e publicidade infantis.
Certo dia, na fila do caixa do mercadinho, presenciei a seguinte negociação: duas crianças, meninas, aproximadamente 8 e 6 anos de idade, estavam segurando, cada uma delas, dois pacotes de macarrão instantâneo. A mais velha escolheu sabor carne com a embalagem azul; a mais nova, sabor galinha caipira, embalagem vermelha da turma da Mônica. A primeira diz para a segunda: "Não podemos levar tudo isso, o dinheiro não dá. Eu vou pagar só os meus". A mais nova responde: "Deixa os teus, a mamãe disse pra eu levar esses aqui porque ela gosta da turma da Mônica". E a negociação continuou. "-então, vamos levar um de cada sabor?". A mais nova, decidida, responde: -"Não. A mamãe disse que é pra levar da turma da Mônica". Depois de muita argumentação, eis que veio a cartada final: -"se tu deixar esses da turma da Mônica, eu deixo tu jogar no celular". Sem titubear, a menina correu para devolver os pacotinhos para a prateleira. A publicidade infantil quase venceu. Essa foi por pouco!
domingo, 3 de maio de 2020
Uma DR inusitada.
Certo dia peguei um ônibus para ir até o centro de Manaus. A viagem estava tranquila até o motorista parar o veículo em frente a um salão de beleza e descer para discutir com sua esposa que dentro do salão estava a se embelezar. A cobradora ainda explica que o casal está em crise no relacionamento. Nós, pasageiros, assistimos essa DR de camarote, ou melhor, da janela do ônibus. É cada uma que parece até duas.
sábado, 18 de abril de 2020
Democracia de beira de estrada.
Numa das minhas viagens pela rodovia AM 363 (estrada da Várzea) que liga Itapiranga à Manaus ouvi uma grande lição de Democracia. O ônibus parou numa dessas comunidades a margem da estrada e subiu um senhor, cabelos brancos, mais ou menos 60 anos (eu suponho) e sentou-se na poltrona ao meu lado. Após alguns minutos de viagem o senhor me pergunta: -"você é de Itapiranga?" Eu respondi: -"Sou com muito orgulho, jaraqui e farinha (risos), mas trabalho em manaus". E o senhor? Ele: -"moro aqui mesmo na estrada, sou o líder comunitário daqui". Conversa vai e conversa vem, ele foi relatando o cotidiando da comunidade em que vive e uma coisa me chamou a atenção quando disse: -"Às vezes há discórdia entre os moradores mas a gente sempre chega a um acordo nas reuniões por meio do diálogo". Naquele momento parei e pensei: este senhor talvez nunca leu nenhum teórico clássico da Democracia, mas sabe que o meio para se resolver conflitos e evitar a guerra é o diálogo. Eis o mérito da (verdadeira) Democracia tão bem prática numa pequena comunidade de beira de estrada. Para alguns "atrasadas" do ponto de vista econômico, mas altamente desenvolvida do ponto de vista político.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
Sociedade da aparência
Estava eu retornando do hospital, onde fui realizar exames de rotina, e dentro do ônibus comecei a observar a cidade. Vi que há espelhos para tudo quanto é lado: nas lojas, nos prédios, nas paradas de ônibus, no próprio ônibus. Na correria do dia a dia, aqui e ali uma pessoa para rapidamente diante de um desses ambientes espelhados e confere o cabelo, a maquiagem, a roupa, vê se está tudo ok. É a sociedade da aparência, marcada pela superficialidade e imediatismo. As pessoas rapidamente param e veem como estão naquele momento, dificilmente elas param para refletir sobre sua essência, seus princípios, seus valores que norteiam suas ações, até porque isso requer tempo, e tempo, meus caros, é coisa rara nesse mundo.
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